Inventário de riscos psicossociais: como fazer passo a passo
O inventário é o coração do PGR. Veja um caminho realista para levantar, avaliar e registrar os riscos psicossociais da sua empresa.
O inventário de riscos é a peça central do PGR: é onde a empresa registra, de forma organizada, os riscos identificados e o quanto cada um é relevante. Com a NR-1 tratando dos riscos psicossociais, eles precisam constar nesse inventário como qualquer outro. Veja um passo a passo prático.
Passo 1 — Ouça quem faz o trabalho
Não dá para mapear risco psicossocial de gabinete. A fonte mais confiável são as próprias pessoas. Uma consulta estruturada e anônima reduz o medo de represália e traz respostas honestas sobre sobrecarga, assédio, autonomia e clima.
Passo 2 — Organize por setor
Os riscos variam muito entre áreas: o comercial sob pressão de metas vive algo diferente do administrativo. Consolidar tudo numa média geral esconde os pontos críticos. Trabalhe por setor e depois consolide.
Passo 3 — Avalie cada risco
Para cada fator identificado, estime o nível de risco combinando, por exemplo, a probabilidade de ocorrência e a severidade do impacto. Uma escala simples (baixo / médio / alto) já permite priorizar. Um mapa de calor por setor ajuda a enxergar onde agir primeiro.
Passo 4 — Registre no inventário
Documente cada risco relevante com: descrição do fator, setor afetado, nível avaliado e a evidência que sustenta aquilo (por exemplo, o resultado da consulta). Esse registro é o que compõe o PGR.
Regra de ouro: o que não está registrado, para a fiscalização, não foi gerido.
Passo 5 — Monte o plano de ação
Para cada risco prioritário, defina uma medida, um responsável e um prazo. Medidas de risco psicossocial costumam ser organizacionais: revisar metas, redistribuir carga, treinar liderança, criar canal de denúncia, ajustar jornadas.
Passo 6 — Acompanhe e reavalie
O inventário não é um documento que se faz uma vez e arquiva. A NR-1 pede acompanhamento contínuo: verificar se as medidas funcionaram, atualizar o inventário e recomeçar o ciclo. É o que sustenta a conformidade ao longo do tempo.
Erros comuns a evitar
- Tratar o dado de um setor como se fosse da empresa inteira;
- Registrar o risco, mas não vincular um plano de ação;
- Fazer uma única rodada e considerar "resolvido";
- Confundir gestão de risco do ambiente com diagnóstico clínico de indivíduos.
Com esses seis passos, o inventário deixa de ser um obstáculo burocrático e vira uma ferramenta real de gestão — que protege as pessoas e sustenta a conformidade.
📘 Fundamentado em: NR-1, item 1.5.7 — Inventário de Riscos e Plano de Ação (PGR). Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura da norma nem o trabalho do responsável técnico.